Os anos da segunda Grande Guerra Mundial que durou de 1939 a 45 ainda hoje estão presentes na memória colectiva.
Isto, bem como os anos da Guerra do Pacífico, que durou mais um ano e terminou já em 1946.
Ainda há gente aqui em Macau que recorda os bombardeamentos contra o Território feitos pelos aviões da esquadra americana.
Muitos se lembram também dos refugiados que por aqui passaram, mais do que duplicando a população durante vários anos.
Há muitas histórias que ficaram na memória sobre esse período.
Mas alguém se lembrará da forma como a cidade se restabeleceu da crise e regressou à normalidade anterior à guerra?
Esse período imediatamente após o fim do conflito continua em grande parte desconhecido.
Tanto em Macau como em vários outros países do Extremo Oriente e do Sudeste Asiático.
Por que é que surgiram, mas essencialmente como é que surgiram, as independências da Coreia da Malásia, da Indonésia, do Vietname, ou da Birmânia?
O que levou as potências coloniais como a França, a Holanda e a Inglaterra a aceitarem a emergência desses novos países?
A história da descolonização da Ásia é complicada e terá custado mais, ou pelo menos tanto sangue, quanto custaram os seis anos da Guerra do Pacífico.
Isto é o que nos diz Ronald Spector, neste livro.
Chama-se “In The Ruins of Empire, The Japanese Surrender and the Battle for Postwar Asia”.
O livro aborda a confusão da época que se seguiu ao cessar de hostilidades, a emergência dos movimentos de libertação, fazendo luz sobre alguns protagonistas da época.
Assim fica a conhecer-se melhor Sukarno da Indonésia, por exemplo, que fez a independência do seu país aliado aos japoneses e com o seu apoio, mesmo depois da rendição do Japão.
Igualmente se fica a conhecer melhor a figura de Ho Chi Min e as razões porque o Vietname permaneceu dividido durante décadas.
Fica-se a saber também as razões que levaram à divisão da Coreia em dois países que o paralelo 38 ainda hoje divide.
No que respeita à Malásia fica a conhecer-se o papel da China no restabelecimento da ordem, alegadamente posta em causa pelas guerrilhas oriundas da numerosa comunidade chinesa que naquele país vivia e constituía uma minoria avassaladora.
Enfim, em minha opinião esta obra, talvez um tanto ou quanto abrangente de mais para explicar com detalhe várias situações vale pela luz que derrama sobre a situação geopolítica dos dias de hoje aqui no Extremo Oriente.
O autor é, como disse, Ronald Spector, professor de história e relações internacionais na Universidade George Washington.
Spector, foi também um distinto professor de estratégia na Escola de Guerra de Washington.
Neste livro fica o ponto de vista de um académico que conhece o terreno já que serviu nos marines durante a guerra do Vietname.
“In The ruins of Empire” é uma publicação deste ano da editora americana Random House.
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