Como não me considero crítico literário, nem crítico de cinema, e muito menos crítico de arte prefiro fixar-me apenas na recensão das coisas que vão saindo no mundo editorial, classificadas como “não ficção”.
Devo dizer que esta classificação, “Não Ficção” existe apenas nos escaparates das livrarias anglo-saxónicas.
Em Hong Kong, em Singapura e Bancoque, por exemplo há sempre uma secção destacada, dedicada a livros de não ficção e é por aí que me perco.
No que diz respeito ás livrarias portuguesas o assunto é mais complicado.
Por exemplo na FNAC há uma secção intitulada literatura traduzida, que eu não sei o que seja embora de cada vez que vá a Portugal de férias não deixe de dedicar pelo menos duas ou três horas a essa epítome do escaparate do livro.
A FNAC é também a epítome do disco, mas por agora falo de livros.
Bom, apesar disso continuo sem saber bem o que quer dizer literatura traduzida.
Mas enfim tudo isto para dizer que hoje chamo a sua atenção não para a não ficção, mas para a ficção.
E a ficção que hoje me trás é este livro
É um policial, mas um policial quanto a mim particularmente interessante.
Provavelmente não pela trama em si, mas pela situação, ou seja, passa-se num país que era desconhecido de toda a gente, ou quase até ter sido integrado na União Europeia.
Banhada pelas águas geladas do mar Báltico, a Letónia tem litoral pantanoso, com dunas de areia e importantes portos pesqueiros.
Riga é a maior capital das repúblicas bálticas.
No bairro histórico de Riga misturam-se edificações medievais e prédios art nouveau, declaradas património da humanidade.
As florestas cobrem quase metade do território.
Ex-república da União Soviética, a Letónia conquista a independência em 1991.
Como herança do domínio soviético, os russos constituem mais de 30% da população.
E agora, a simples remoção da estátua de um soldado do Exército Vermelho da ex-união soviética no centro da capital, quase gera uma guerra civil.
IMAGENS DE TELEJORNAL
Que país é este de que tudo se sabe, mas poucos parecem saber ao certo o que se lá passa?
O detective sueco Kurt Walander depois de ser chamado a descobrir dois homens assassinados a navegar à deriva nas costas da Suécia num bote, decide atravessar o Báltico para tentar desvendar os segredos de Riga e a dramática mudança que afecta os estados bálticos.
E é entre prédios art noveux e pântanos e florestas e Letões, que são descendentes de suecos e também russos que são os tais 30% da população, que o detective se move, sem saber bem por onde, e essencialmente sem retirar conclusões.
Vale a pena ler este livro de 270 páginas, que não tem nada a ver com Macau, ou com a China, ou mesmo com a Ásia, mas que tem a ver seguramente com os dias de hoje.
Lê-se de um fôlego, num fim-de-semana na Tailândia, ou nas Filipinas, ou mesmo na Praia de Cheok Van.
Se não o encontrar na Livraria Portuguesa mande vir.
Custa 190 Patacas.
O Título é estes:
Os cães de Riga, o autor é Henning Mankell.
É da editorial Presença.
Leio policiais desde a minha adolescência e também livros de ficção científica.
Creio que são dois géneros que todos nós cultivamos, para preencher as horas vagas, embora nestas matérias hoje em dia existam o VCD e DVD, mais fáceis de consumir, embora deixem menos espaço à nossa própria imaginação.
Um dia destes hei-de falar-lhe também de ficção científica
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