Sobre Estaline a bibliografia é extensa.
No entanto quem escreve sobre o ditador soviético são escritores ocidentais.
Alguns de grande renome, mas mesmo assim ocidentais.
Confesso que por esse facto nunca perdi grande tempo a ler o que sobre ele se escreveu.
Bastaram-me uns artigos de jornal e uma ressenções literárias.
Isto até ir ali a Zhouhai e descobrir que para além das intermináveis lojas de roupas, CDs, artesanato de duvidosa qualidade e roupas existe também uma livraria.
Uma livraria a sério.
Não fica longe das Portas do Cerco e passei, ou melhor atravessei o local por acaso.
Mas, quando reparei que era uma livraria parei.
A bibliografia era imensa, embora a maior parte em chinês.
Procurei ver então, se tinha livros em línguas estrangeiras, e tinha.
Uma secção pequena. A maior parte são livros técnicos, mas mesmo assim digna de atenção.
Foi ali que vi este livro
Chama-se, como podem ver “Alexander II, The Last Great Tsar” e é assinado por Edvard Radzinsky e diz na capa como também podem ver que este autor escreveu outro livro chamado “The Last Tzar”, ou “O Último Czar”, que foi um best-seller mundial.
“Alexander II”, já não vendeu tanto, mas quanto a mim vale mais pelo que diz do que pelo que contém.
Trata-se de um período da história da Rússia que refere todos os ícones da juventude das pessoas da minha idade.
Nele fala-se de Bakunine, de Turgueniev, de Doistoyevsky, de Toslstoi, de Kropotkine, enfim de todos os nomes.
Vale a pena ler e creio que voltarei especificamente a falar deste livro mais tarde que vale a pena.
Mas agora falo-lhe neste
Chama-se “Estaline”.
O nome, como podem ver surge a branco sobre campo vermelho, como se o autor pretendesse assim salientar o reino sangrento do Czar vermelho, e se calhar pretendia mesmo.
O subtítulo é demasiado grande para as capas a que estamos habituados.
Diz: “The first in-depth biography based on explosive new documents from russia’s secret archives”.
Ou seja a primeira biografia total baseada em novos documentos explosivos dos arquivos secretos da Rússia.
A capa cheira a primeira página de jornais tablóides, mas vale a pena ler e isto porquê?
Porque é o primeiro livro sobre Estaline escrito por um russo sem intervenção de editores ocidentais.
Só por isso vale a pena.
Claro que o autor, não é um historiador imparcial.
Quando muito será uma espécie do nosso Hermano Saraiva, com o qual revela alguns paralelos.
Edvard Radzinsky é monárquico por convicção e estrela de televisão.
Tem programas em vários canais onde expõe os seus pontos de vista.
Mais do que historiador Radzinsky é um contador de histórias e conta-as bem como se depreende da leitura deste livro sobre Estaline.
Principalmente Radzinsky relembra que houve um período da humanidade em que a revolução estava acima de tudo.
Acima de Deus, acima da família, acima da Pátria e acima de cada um de nós individualmente.
Este conceito fez a revolução russa de 1917 e formatou o mundo que temos hoje.
E Estaline quem era?
Era um produto da revolução. Um homem novo que queria fazer um mundo novo.
Morreu antes de o concretizar.
Mas se à sua maneira não o concretizou inteiramente nele deixou uma marca mais do que indelével.
O general Xi Haotian, chefe das forças armadas da China, dizia que o tempo da Alemanha de Hitler apesar do socialismo, foi um erro momentâneo da história
O tempo de Estaline, digo eu foi a formatação de um novo mundo que insidiosamente continua.
Estamos a assistir todos os dias ao seu desenrolar.
Falta saber se também foi um erro momentâneo da história.
Acho que já existe tradução em português deste livro.
A Livraria Portuguesa se o não tem pode mandar vir com certeza. Peça-o lá!
Se não. Leia a edição em inglês.
Pode encontra-la em Banguecoque na Livraria Konukaia no centro comercial “Paragon”, ali no coração da capital tailandesa, ou então em Hong Kong, aqui ao lado na livraria “Page One”, por exemplo.
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