Aqui há uns bons quinze a vinte anos, um britânico decidiu aventura-se a fazer a pé o trajecto entre a Europa e a China.
Para o efeito achou que era necessário aprender turco.
E porquê turco?
Porque era a língua mais falada na maior parte da rota que ia empreender.
E assim, o aventureiro conseguiu entender-se nesse idioma com as populações dos países por onde passava desde a Turquia até quase às portas de Pequim passando pela imensa Ásia Central.
É que as línguas dessas regiões, com predominância para o Urdu, derivam todas do turco.
Esta história revela bem a dimensão que atingiu o império otomano que durou de 1299 a 1922.
Serve esta introdução para apresentar este título.
“The New Central Asia. The Creation of Nations”.
A obra constitui uma referência importante para quem queira conhecer não só a história da Ásia Central, mas a emergência de novos países depois da queda da União Soviética.
Nela observa-se com nitidez o papel aglutinador do Islão entre essas novas nações, que em termos culturais, pouco ou nada diferem umas das outras.
A razão do seu surgimento prende-se mais com a queda do império otomano e a consequente perda de referência religiosa, ligada a um centro de poder forte.
A divisão em repúblicas, pela União Soviética dos territórios da Ásia Central, um tanto artificial diria eu, fez o resto.
O autor deste livro é Olivier Roy, um académico do Centro Nacional de Investigação Científica de Paris.
Roy é um profundo conhecedor do Islão, principalmente no que diz respeito à Ásia Centra, onde desempenhou missões internacionais, nomeadamente no Afeganistão e Kirguistão.
Roy é também consultor do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês.
O seu último livro tem por título “Secularism Confronts Islam” e foi publicado em 2007.
“The New Central Ásia” foi publicado pela primeira vez em 1997.
A edição que aqui tenho é uma tradução para inglês datada de 2000 e tem a chancela da New York University Press.
Um livro que vale a pena ler tanto mais que com a nova administração americana de Barak Obama o fulcro de conflito passa a centrar-se no Afeganistão. Na luta contra o terrorismo e contra os fundamentalistas Taliban, o que perspectiva um crescendo de importância das novas nações da Ásia Central que com o Afeganistão fazem fronteira.
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